Seu Nadir

 

Seu Nadir : indie rock e poesia pop com pressão e urgência.

 

Em seu primeiro álbum, “Sujeito ao Tempo” (2014), a banda Seu Nadir apresenta um indie rock impregnado de boa poesia pop, cantado e tocado com pressão e urgência. O resultado é um trabalho a um só tempo, bem cuidado, sensível, mas com energia e potencial pop, até mesmo para desafiar o bloqueio que o rock brasileiro enfrenta hoje nas paradas, nas rádios e nos grandes canais de difusão. Contemporaneidade rock, conduzida com a propriedade de quem tem os dois pés no presente, olhos atentos ao futuro e ouvidos ligados em ótimas referências do passado.
Apoiado em uma cozinha segura, o duo de guitarras cria ambientação precisa para a sensibilidade das canções, alternando momentos de lirismo e peso, indo da sutileza à porrada em completa sintonia com a poética das letras. Os arranjos primam por manter uma aparente simplicidade, mas a cada audição vão revelando um cuidado meticuloso na estruturação de fraseados, alternâncias rítmicas, solos econômicos e precisamente colocados.

Um passeio “sujeito ao tempo”

A perfeita junção de poesia pop e pressão rock, é a tônica já na faixa de abertura, “Papara”, potencial hit, que antecipa ao ouvinte o que o álbum tem a oferecer. “Disco Voador” retoma a poesia sutil do grupo com uma dose de ironia e nonsense, iniciando com uma musicalidade de aparência leve, para em seguida assumir uma pressão insuspeitada com um refrão apoiado em uma levada mais roqueira de baixo e batera, aliados a guitarras e vocais potentes, para em seguida retormar a aparente ingenuidade inicial.
Nas faixas seguintes, como “Entre os dentes”, o grupo assume uma linguagem instrumental rock mais direta, sem descuidar das melodias e das vocalizações, remetendo a algumas das influências centrais do grupo, particularmente o indie rock dos Strokes, garantindo uma pressão sonora que prossegue também na faixa seguinte, “Estas cores”.
Um dos destaques nos shows do grupo, “Inferno Astral”, em estúdio amplia suas chances como um dos potenciais hits, apresentando uma bela combinação de melodia envolvente, arranjo bem construído com frases instrumentais bem sacadas e que pegam tanto quanto um refrão, solo econômico e preciso e uma letra que alia romantismo, ironia e reflexão existencial sem perder o tom. Mas o páreo não se mostra tão simples assim , quando em “As cores”, o grupo retoma o cuidado instrumental em outra canção que surpreende pela firmeza da condução e pela sutileza poética do texto.

Pausa para o lirismo

Ao longo das faixas, o uso dos vocais em conjunto, ou a alternância de vozes solistas (principalmente entre os dois guitarristas) funciona como outro elemento que dá colorações imprevisíveis aos diferentes momentos do álbum. Nesse sentido, um elemento supresa, é o belo solo vocal, da também baixista, Nathalia Guimarães, que conduz a faixa “Por Perder”. A canção abre uma “clareira” no repertório, mostrando uma face mais leve do indie rock do grupo (que, nessa faixa, chega a remeter à musicalidade pop mineira do Clube da Esquina), criando um momento de “respiração” bastante salutar para a dinâmica do CD.
O lirismo prossegue dando a tônica musical na faixa seguinte, “A porta”, com uma ênfase maior no vocal do guitarrista Will e o uso econômico e bem sacado do acordeon como elemento adicional. E se a poesia, em seus contornos pop já permeia as faixas até aqui, em “Me levar”, o flerte do grupo com a tradição literária é mais que assumido. A canção abre com uma citação do poeta Guilherme de Almeida, abrindo caminho para um pop solidamente construído sobre um grovie firme e bem elaborado de baixo e batera (com tons oitentistas) e arrematado pela volta da junção poderosa das duas guitarras, que, somadas a uma melodia e refrões envolventes, produz um dos momentos mais marcantes do álbum.

Ecos setentistas

E espertamente, o grupo mostra sua face mais roqueira, nas três faixas finais, intensificando a pressão guitarreira e as levadas cruas, com direito a ecos do melhor rock setentista brasileiro (vide Mutantes), sem perder o foco da identidade “indie” que perpassa o álbum.

A pauleira que une a trinca “Sina Estreita”, “Palavras Vazias” e “Sujeito ao Tempo” (cada uma, a partir de abordagens diferentes), encerra o álbum deixando a promissora sensação de que o som do grupo segue num crescendo e tem muito mais a contribuir para um aguardado renascimento do rock brasileiro no mercado nacional.

Jogando junto

É bom destacar também o papel fundamental da produção do músico Nando Costa, na passagem do palco para o estúdio. A produção jogou o tempo todo junto com o time, optando por preservar e potencializar as qualidades já presentes no som da banda.

Os acréscimos bem vindos, foram toques sutis, como no uso pontual de instrumentos adcionais que deram um “colorido” especial a determinadas canções (sopros e acordeon), sem descaracterizar a linguagem direta e a energia das execuções ao vivo. O mesmo pode ser percebido em alguns vocais que ganharam uma pressão a mais no estúdio no melhor estilo power pop, como em Disco Voador.

Prioritariamente indie rock em suas referências, o grupo une as influências dessa praia a um trânsito natural (e por isso mesmo, mais sutil que explícito) por referências da MPB, principalmente das sonoridades mais inovadoras e transgressoras dos anos 70. Ecos também dos 70 remetem aos trabalhos pioneiros do rock psicodélico brasileiro, da transição entre a Jovem Guarda e o Rock Brasil 70.

Estrada

Ainda sob o antigo nome (Copo Americano), em agosto de 2011, o grupo apresentou seu primeiro pocket com parte do repertório que integra seu primeiro álbum, no evento “Encontro de Compositores”, em Juiz de Fora, movimento que agrega artistas de diferentes estilos em torno do estímulo à produção autoral. Em 2014, o grupo lançou seu primeiro disco, “Sujeito ao Tempo” (Financiado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, Lei Murilo Mendes).
No período de pré-lançamento, o disco rendeu participação no Festival Música do Mundo (Três Pontas-MG 2014), dividindo o palco com Blues Etílicos e Nenhum de Nós, além da Participação na última fase do concurso “MúsicaPraTodos” edição Rio de Janeiro do Circuito Banco do Brasil (2014).
Em outubro do mesmo ano participou do projeto “Chico para Todos”, em Leopoldina, e em novembro participou do projeto Red Sessions em Cataguases. Ainda em 2014, o grupo se classificou entre os Finalistas do Circuito Banco do Brasil (RJ) e participou do Grito Rock Mariana (Sagarana café teatro).

E inovando em relação aos circuitos tradicionais do rock, Seu Nadir vem abrindo diálogo também com a “novíssima geração” em apresentações para o público estudantil, tanto de seu trabalho autoral (como na Escola Municipal João Guimarães Rosa) como no projeto temático em que reinterpretou canções do período de resistência à Ditadura Militar. Já 2015, é o tempo de colocar “Sujeito ao Tempo” para rodar pelas terras e ouvidos afora.

 

Ouça

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Fotos

 

Vídeo – Dia Branco
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Seu Nadir

Reinaldo Kreppke – guitarra e vocais /  William Assis – guitarra e vocais /  Nathalia Guimarães – contrabaixo e vocal / René Eberle – bateria

Contato

bandaseunadir@gmail.com

Acompanhe a banda pelo Facebook e Site Oficial.

 

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