Poesia, experimentalismo, pesquisa e raízes brasileiras: a música inquieta e a militância de Makely Ka.

 
 
 

Inquieto na arte e na vida, Makely Ka, um dos artistas de destaque da atual cena alternativa da MPB de Belo Horizonte, alia experimentalismo poético e musical a influências das mais diversas fontes da música brasileira e até do rock. Em seu trabalho mais recente, “Cavalo Motor” faz um mergulho profundo nas raízes da cultura popular brasileira, trazendo elementos da tradição popular e oral do nordeste como cocos, cirandas, trava-línguas e emboladas fundamentados em estruturas modais, com métodos modernos de construção melódica e poética a partir da incorporação de elementos do que ficou conhecido como escola harmônica mineira.Para quem quiser conferir, o artista se apresenta nesse sábado, dia 15 de agosto, em formato violão e vozes (com a participação da cantora Maísa Moura), na Liberdade Beat Café Bar e Livraria. (Rua Benjamin Constant, 801, Centro, Juiz de Fora. MG)

 

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A base para esse projeto foi um profundo trabalho de pesquisa através de referências da literatura, da geografia, da história, da botânica e da zoologia, utilizando o suporte fotográfico, videográfico e audiográfico. Não se limitando a um mergulho meramente intelectual nesse universo, Makely partiu em 2013, também para uma viagem concreta, geográfica, que resultou na expedição “Cavalo Motor no Grande Sertão”. O artista percorreu de bicicleta, um trajeto de mais de 1.600 km, entre julho e setembro de 2012 refazendo os caminhos do personagem Riobaldo Tatarana do “Grande Sertão: Veredas”, obra fundamental do mineiro João Guimarães Rosa. O fruto desse trajeto se materializou em uma série de registros das paisagens sonoras e visuais audio, video e fotos, a partir das quais foram compostos o disco e o show Cavalo Motor.

Nos shows, Makely tem contado também com a participação da cantora Maísa Moura, parceria que vem desde o final dos anos 90, quando os dois estrearam juntos na carreira musical. Maísa é a cantora que mais gravou composições de Makely, tendo gravado um disco, (“Danaide”, de 2006) só com músicas do artista.
Também do relacionamento com Maísa, formada em antropologia, surgiram as bases para que o som de Makely passasse a incorporar também influências da música negra e indígena.

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Apesar de sua trajetória musical ligada à cena de Minas Gerais, Makely nasceu em Valença do Piauí , em 1975, mestiço de árabe, negro, índio e português, filho de mãe mineira e pai nordestino. Ainda com três anos incompletos, mudou-se com a família para o interior de Minas Gerais, onde viveu até o início da adolescência. Além de ter morado depois em várias cidades, como Mariana e Belo Horizonte o gosto pela leitura (incluindo filosofia, textos sagrados, Vanguardas Poéticas do Século XX, e os poetas malditos), despertou o interesse pela literatura Beat e também o amor pela estrada e por explorar os mistérios das Gerais em viagens de carona, no melhor estilo On the Road.

A opção pelo curso de Filosofia e a aproximação com o universo do teatro e da performance, a produção de vídeos experimentais e a criação de uma rádio livre que transmitia clandestinamente de um casarão histórico no centro de Ouro Preto, foram também passos marcantes da formação do artista/militante. A influência da música de artistas como Tom Zé e Itamar Assunção, ajudou a definir uma opção pelo lado menos convencional da música popular, uma das marcas fundamentais de sua linguagem.

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Um dos agitadores dos movimentos recentes da cultura de Belo Horizonte Makely foi um dos articuladores do Reciclo Geral – Mostra de Composições Inéditas, evento que foi um marco na história recente da música mineira. Em parceria com os compositores Kristoff Silva e Pablo Castro, gravou o disco manifesto “A Outra Cidade”, considerado um dos trabalhos de referência da música produzida em Minas nos últimos tempos.
Foi também responsável pela criação do Selo Editorial, publicando mais de vinte livros de poemas, contos, ensaios e memórias de diversos escritores.•.
Publica em 2003 seu segundo livro de poemas, Ego Excêntrico, acompanhado do CD Poemas de Ouvido.

 

Galeria de fotos

 

 

Junto com Maísa Moura, lança em 2006 o álbum Danaide, somente com suas canções, reconhecido por público e crítica como um dos trabalhos mais originais da cena mineira.
Entre sua atuação na militância cultural participa da fundação do Fórum Nacional da Música e da COMUM – Cooperativa da Música de Minas e atua como presidente por quatro anos, além de participar da criação do Fórum da Música de Minas
Em 2008 lança Autófago, seu primeiro disco solo, álbum com pegada roqueira, ritmos nordestinos e discurso afiado contando com trechos de depoimentos de Glauber Rocha, Subcomandante Marcos e Maiakovski, entre outros.•.

 

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Em 2013 recebe o patrocínio da Natura Musical para finalizar seu novo disco e realizar uma série de shows de lançamento. Realiza também nesse ano uma turnê com diversos concertos na Lituânia (Vilnius e Kaunas) e Grécia (Ilha de Creta), com grande sucesso de público e da crítica.
Prepara um disco de poesia sonora e um livro infantil a serem lançados no próximo ano.

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