Uma noite da grande ópera “Bohemian Rhapsody”

 
 
 

Isto é a vida real ou apenas uma fantasia? Começando essa bela resenha, já respondo que sim, é verídico. Essa obra prima composta por Freddie Mercury, integrante da banda Queen, completou 40 anos de lançamento recentemente, no dia 31 de Outubro. E para celebrar “Bohemian Rhapsody”, o Show Música te conta as curiosidades de um dos hinos do Rock’n Roll. O hit foi lançado no quarto disco do grupo, intitulado “A Night at the Opera”, considerado um dos discos mais importantes da música popular mundial.

Esse Single trata-se de uma ópera rock magistral de aproximadamente seis minutos sobre um jovem que matou um cara, com isso vendeu sua alma para Belzebu e quer descobrir se Scaramouche pode fazer o Fandango. Magnifico não? Bom, vamos lembrar que essa música não possui um refrão e consiste em três partes.

 

Sem escapatória da realidade

 

A música começa com um coral cantando a capella. A gravação foi feita em multicanais inteiramente com a voz de Freddie Mercury. A letra questiona se a vida é “real” ou “apenas fantasia”, concluindo que “não pode haver escapatória da realidade”. Após um tempo, o marcante piano entra na canção com os vocais se alternando. O narrador se apresenta como “apenas um pobre garoto”, mas declara que “não precisa de simpatia” porque ele “vem fácil, vai fácil” e que “nada mais importa para ele”, causando um efeito cromático e destacando a atmosfera onírica do single. O fim desta parte é marcado pela suave entrada do baixo de John Deacon e a familiar melodia do piano que ecoa em nossos ouvidos.

No primeiro verso, os vocais evoluem de uma harmonia suavemente cantada para um fantástico desempenho solo de Mercury, em que explica para sua “mãe” (mama) que ele havia “acabado de matar um homem,” com “uma arma contra sua cabeça” e, ao fazê-lo, jogou sua vida fora. Esse “confessional” é uma “afirmativa da carinhosa e vivificante força do feminino e da necessidade de absolvição.” Com o desenrolar da narrativa, é apresentado o sentimento de arrependimento por “fazê-la chorar” e pede à sua mãe que “continue como se nada importasse” para ele.

O verso seguinte, o narrador dá adeus ao mundo, anunciando que ele tem que ir, e se prepara para “encarar a verdade”, admitindo que “Eu não quero morrer” e que “Algumas vezes eu gostaria de nem ter nascido”. Essa parte é o momento de grande tensão da música, e com fluxo da canção desenrolando vem a entrada do solo de guitarra de Brian May, dando aquela ênfase de um sofrimento que o narrador passa na história, servindo como uma passagem da primeira parte da canção para a segunda, que é o julgamento do ato do narrador.

A intensidade continua a crescer, mas assim que a nova tonalidade é estabelecida a banda emudece abruptamente até parte que o piano toca solitariamente. dando o início da segunda parte da música. Uma rápida série de mudanças rítmicas e harmônicas introduzem uma seção intermédia pseudo-operística, que contém a maior parte dos elaborados vocais.

A segunda parte, a ópera, possui diversas referências líricas incluindo Scaramouche, o fandango, Galileo Galilei, o Figaro, e Bismillah, enquanto facções rivais lutam pela alma do narrador. A sequência narra “um julgamento em quadrinhos” e “um rito de passagem com uma parte do coro acusando o narrador e o outro defendendo, enquanto o herói apresenta a si mesmo como pacífico e astuto.”. Calma que a melhor parte vem ai! Antes vamos destacar algumas das referências e as pequenas intenções dentro da narrativa.

Scaramouche é um palhaço malandro que usa uma máscara preta e calças pretas, camisa e chapéu. Ele é retratado como um bufão, que sempre consegue se esquivar de situações delicadas. Na parte inicial da ópera quando é cantado “I see a little silhouetto of a man, Scaramouche, Scaramouche will you do the Fandango”, mostra que o personagem principal do enredo é julgado. Para completar esse bloco, vem a frase “Thunderbolt and lightning, very,very frightening me”, para causar o terror no réu.

Bismillah significa “pelo amor de deus” na língua árabe. Vale lembrar as origens reais de Freddie Mercury, nascido em Zanzibar (antigo território da civilização Persa) e o próprio vocalista do Queen resolve usar esse jogo de palavras com base na religião de sua família. Na parte em que o coro canta “Bismillah! No, we will not let you go!” é a parte da defesa do personagem central.

Para finalizar essa parte operística, a melhor parte anunciada alguns parágrafos atrás. Esse trecho “Beelzebub, has a devil put aside for me, for me, for me” é um dos mais marcantes pelo julgamento da história, que condena o réu a pagar todos os seus “pecados”, que no caso é o assassinato cometido no começo da história. Essa parte é a ponte para a terceira e última parte do hit.

A seção operística leva a um agressivo interlúdio musical, com um riff de guitarra. Mercury canta palavras raivosas dirigidas a um “você” não especificado, acusando-o(a) de traição e abuso e insistindo que ele(a) “não pode fazer isso comigo” – o que poderia ser interpretado como um flashback para certos eventos do início da história. A guitarra toca três passagens ascendentes levando para o final da canção, que tem a narrativa que reforça bastante a ideia inicial do personagem de que “realmente nada importa mais para ele” depois de todo o enredo.

 

Produção e curiosidades

 

É importante destacar o tempo que levou para a obra ser concluída. Apenas a gravação da segunda parte, a ópera, levou cerca de 70 horas contabilizadas para ficar pronta. É bem trabalhoso gravar várias vozes com toda essa sobreposição e com os recursos da época. A obra inteira demorou 3 semanas para ficar completamente pronta, isso sem contar a composição e arranjo completo.

Freddie Mercury escreveu a maior parte de “Bohemian Rhapsody” em sua casa, O produtor da banda, Roy Thomas Baker, relatou que Mercury tocou para ele o início da canção quando entra o piano até a parte em que entra a ópera. O guitarrista Brian May disse que a banda considerou o projeto de Mercury para a música “intrigante e original, e que merecia ser trabalhado.”. Grande parte do material do Queen, de acordo com May, era escrito no estúdio, mas essa música já “estava na mente de Freddie” antes de eles começarem. Freddie começou a desenvolver “Bohemian Rhapsody” no fim da década de 1960, e ele costumava tocar no piano partes de músicas que estava escrevendo, e uma de suas peças, conhecida como “The Cowboy Song”, continha letras que acabaram na versão completa que foi produzida anos depois, em 1975, especificamente “Mama… just killed a man.”

De acordo com alguns membros da banda, Mercury preparou a música mentalmente em antecedência, e dirigiu a banda durante a produção. Na gravação do piano, Freddie usou o mesmo piano que Paul McCartney, ex-beatle, tocou quando produziu e gravou o hit Hey Jude. E esse foi o mesmo piano que o vocalista do Queen tocou no videoclipe do hit. Devido à natureza elaborada da música, ela foi gravada em várias seções, e a junção foi realizada usando a batida da bateria para manter todas as faixas sincronizadas.

Os estúdios da época ofereciam fitas analógicas com apenas 24 canais, foi necessário que os vocais fossem gravados várias vezes e então juntassem tudo em sucessivas submixagens. No fim foram usadas fitas de até oitava geração. As várias seções de fita contendo as submixagens desejadas tiveram que ser cortadas com gilete e então montadas na sequência correta usando fita adesiva. Bohemian Rhapsody foi de fato o single mais caro já produzido e uma das gravações mais elaboradas na história da música popular. Tanto é que alcançou o primeiro lugar das paradas musicais no Reino Unido e com muito louvor, esteve nesse ranking por mais de nove semanas consecutivas. Não é para qualquer um!

 

Legado

 

Bohemian Rhapsody teve e ainda tem muita importância na vida de milhares de ouvintes espalhados pelo mundo. Tanto é que em 2004 a canção foi incluída no Grammy Hall da Fama. Numa lista das 100 maiores músicas mais tocadas nas rádios, “Bohemian Rhapsody” foi a música mais tocada desde o lançamento da rádio, seguida de Imagine de John Lennon e Hey Jude dos Beatles. E até hoje é uma das canções mais escutadas no mundo. Tanto é que vários artistas como Elton John, Axl Rose, Montserrat Caballe e Bruce Dickinson já fizeram suas versões dessa obra prima. E não para por ai não! Em 2009 o programa infantil americano Muppets, também prestou homenagem a esse hit. E para não esquecer, até os brazucas já registraram uma versão desse hino do rock. O canal de humor do youtube da “Raposinha Sapeca” fez uma versão e animação bem humorística dessa obra.

Podemos notar então não apenas a história que a música tem, mas a reflexão, o processo e o legado de Bohemian Rhapsody. O tamanho da importância desse hit para a música popular é algo gigantesco.

 

Galeria de Fotos

 


 

Confira o vídeo oficial e as homenagens

 

 
 
 
 
 

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