Parabéns Tavito!

 
 
 

Nascido em Belo Horizonte, em 26 de janeiro de 1948, Luiz Otávio de Melo Carvalho, o Tavito, é um dos vários personagens de presença discreta, porém vital, para o movimento mineiro que ficou conhecido como Clube da Esquina. Ao lado de outros amigos, integrou o Som Imaginário, que, mais do que ser apenas uma banda de apoio para a guinada contracultural/roqueiro/psicodélica de Milton Nascimento, no início dos anos 1970 (o que já bastaria para ter um lugar garantido na história), foi um dos grupos mais criativos e originais do período, estando para o movimento mineiro, como os Mutantes para o Tropicalismo. Além disso criou uma série de canções memoráveis sozinho e em parcerias, que se incorporaram ao repertório de sucessivas gerações. Também seu trabalho como criador publicitário legou jingles que foram além da funcionalidade imediata, permanecendo na memória afetiva, para além dos objetivos para os quais foram compostos.
Dois de seus maiores sucessos são “Rua Ramalhete” (com Ney Azambuja), que acabou por se tornar um verdadeiro hino da cidade de Belo Horizonte e “Casa no Campo” (com, o também Som Imaginário, Zé Rodrix), imortalizada pela cantora Elis Regina e um marco do rock rural e da MPB dos anos 70 e que continua a embalar os sonhos bucólicos das novas gerações cansadas das pressões da vida urbana.
 
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Trazendo já de berço as referências sonoras da vasta discoteca familiar de música erudita cultivada por seu pai, após ganhar seu primeiro violão aos 13 anos, aprendeu a dominar o instrumento de forma autodidata, que foi desenvolvendo também, tocando em serenatas e festas, e através de amizades musicais que incluíram nomes como Milton Nascimento, Toninho Horta, Tavinho Moura e Nelson Angelo.
Entre suas memórias sobre os anos 60, consta que, passeando de madrugada pela cidade com amigos, deparou-se uma vez com um grupo de jovens tocando violão dentro de um carro, a curiosidade de músico, fez com que parassem e perguntassem se podiam ouvir um pouco do som que estava sendo tratava-se de Marilton Borges e Milton Nascimento, de quem se tornaria amigo e aliado musical.
Outro momento fundamental de sua trajetória veio em 1965, quando conheceu o poeta e compositor Vinícius de Moraes, que gostou tanto do seu estilo, que o convidou a tocar em suas apresentações em Belo Horizonte, atuando ao lado de um dos maiores mitos do violão brasileiro, Baden Powell.
Em outra situação, participando como jurado em um festival de música popular realizado pela prefeitura de Belo Horizonte, tomou contato pela primeira vez com a música “Clube da Esquina”, uma das inscritas, e que mais tarde ele próprio ajudaria a ter sua versão definitiva em disco, já como integrante do Som Imaginário.

 

Álbum clássico de Milton, com Tavito e o Som Imaginário como músicos de apoio

 

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Buscando ampliar suas possibilidades profissionais, em 1968, foi para o Rio de Janeiro, onde deu aulas de violão e também reencontrou Milton, e acabou por integrar o grupo Som Imaginário, que além de banda de apoio para o cantor (e também para Gal Costa e outros artistas), produziu três álbuns inovadores e, hoje, considerados clássicos, que partiram da psicodelia para um mix de rock progressivo, jazz rock e instrumental brasileiro.

 

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Um de seus maiores clássicos, “Casa no Campo” foi composto em parceria com o amigo Zé Rodrix, e eternizada na voz de Elis Regina. Como relatou o prórprio artista: “Essa música nasceu numa viagem que eu e o Zé fizemos de Brasília para Goiânia acompanhando a Gal Costa [na banda Som Imaginário]. O Zé fez a letra dentro do ônibus e quando chegou no hotel, eu fiz a música em cerca de cinco minutos”, conta o artista. Em 1971, Casa no campo foi a música vencedora do Festival da Canção de Juiz de Fora (MG) e classificada para o Festival Internacional da Canção (FIC). “O Zé Rodrix dizia que essa música foi o nosso diploma de compositor”.

(Fonte: http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/555342/woodstock-na-roca-com-tavito)

 
 

Na análise do próprio Tavito, apesar de Zé Rodrix ter escrito a letra numa perspectiva pessoal, num momento em que sua filha (Maria, afilhada de Tavito), estava para nascer e o artista estava precisando descansar a cabeça, após seu lançamento na voz de Elis, acabou ganhando tons políticos. Ela teria se tornado também a expressão do cansaço de toda uma geração em relação à ditadura á censura, ás torturas e mortes provocadas pela ditadura militar”.

 

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Após sua passagem pelo Som Imaginário, dividiu-se entre sua carreira solo e ao trabalho de produtor em discos de outros artistas, e a composição de jingles publicitários. Entre seus trabalhos, produziu álbuns de artistas como Zé Rodrix, Marcos Valle, Renato Teixeira, Selma Reis e Sá & Guarabyra).
Em seu primeiro álbum solo, lançou a emblemática “Rua Ramalhete”, que além de se tornar sua marca registrada, passaria a ser identificada pelos belorizontinos como uma das músicas mais representativas da cidade.

 

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Como compositor de jingles, também deixou sua assinatura na memória afetiva dos brasileiros com composições como ‘Marcas do que se foi’, criada para comemorar o réveillon de 1976. Apesar dos seus versos (“Este ano/ Quero paz no meu coração/ Quem quiser ser meu amigo/ Que me dê a mão. O tempo passa/ E com ele caminhamos”) estarem entre os mais lembrados da história da publicidade brasileira, Tavito demorou muito a ter coragem de revelar a autoria. É que, apesar de ter surgido já num período de distensão da ditadura militar, o jingle fora composto atendendo a uma encomenda do governo federal à agência em o que compositor atuava. E ele próprio, fora uma das muitas pessoas afetadas pelo terror da ditadura, tendo sido preso e tendo perdido pessoas próximas, vitimadas pela repressão. Tavito também foi o autor do clássico “Vem pra Caixa / Você também”, jingle feito para a Caixa Econômica Federal e de toda uma série de canções que fizeram história na publicidade brasileira.

Tendo como sócio o compositor Paulo Sérgio Valle, atuou na agência de publicidade Zuruna, de 1975 a 1979, que chegou a contar com o suporte eventual de artistas como Ivan Lins, Djavan e Mariozinho Rocha.
Apesar do sucesso nacional da canção Rua Ramalhete de seu primeiro álbum solo, de 1980, Tavito abandona os palcos em 1992, passando a se dedicou às composições, aos arranjos e à publicidade até 2004. Sua volta aos palcos resultou também em novos álbuns e num coincidiu ainda com o retorno do Som Imaginário.
Em 2012, depois de quase 40 anos desde a última apresentação do grupo, o Som Imaginário voltou a se apresentar, com o projeto “Wagner Tiso e o Som Imaginário” (com Wagner Tiso , Luiz Alves, Robertinho Silva , Tavito e Nivaldo Ornelas, na formação). Lotando teatros pelas várias cidades por onde passou, o grupo chegou a reunir mais de 5 mil pessoas à Praça do Papa, em BH. No início de 2013, visando buscar uma sonoridade ainda autêntica e “progressiva”, como a que tinha nos anos 70, o grupo ganhou o reforço do guitarrista Victor Biglione.
Apesar da recente retomada da estrada, o artista não deixa de demonstrar, em suas manifestações públicas, uma clara revolta com o cenário fonográfico e midiático contemporâneo. Chegou a declarar que “na civilização contemporânea, tudo leva ao emburrecimento”. Um pouco desse sentimento está expresso de forma sutil e poética na toada “Ponto Facultativo” que encerra seu CD, Mineiro (2014) e que, segundo ele, seria um lamento de quem perdeu algo precioso.

 

Ouça – Ponto Facultativo

 
https://soundcloud.com/tavito-1/sets/ponto-facultativo

 
 

Som Imaginário

 
• Som Imaginário – 1970 EMI LP, CD
Carreira Solo
• Tavito – 1980 – CBS LP, CD
• Tavito 2 – 1982 – CBS LP
• Número 3 – 1983 – CBS LP
• Simpatia/Água e luz – 1984 – CBS (Compacto simples)
• Tudo – 2009 – Tratore CD E LP PROMOCIONAL
• Mineiro – 2014 – CD

 
 
 
 
 

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