“Supergrupo” dos anos 80, a banda Zil volta à estrada e grava DVD no Cultural Bar

Um termo que ganhou certa popularidade nos anos 80 “Supergrupo” usado principalmente para definir bandas formadas por músicos já consagrados e respeitados no cenário musical, poderia muito bem caber como definição para o que a Banda Zil representou na segunda metade dos anos 80. Tratava-se, porém, de uma formação surgida de forma bem menos pretensiosa: sete amigos, se reunindo em torno de referências em comum, mas trazendo na bagagem, currículos invejáveis e um domínio técnico perfeito de seus instrumentos e vozes, além, é claro de muita sensibilidade. O resultado foi um trabalho que marcou época entre o público de MPB, instrumental brasileiro e jazz (áreas entre as quais o grupo transitava) tanto ao vivo, quanto em estúdio, através de um registro em vinil que se tornou cult entre essa faixa de público.
E agora em 2016 a Banda Zil deixa de ser apenas mais uma bela memória nas páginas da boa música brasileira, para voltar a ser uma força sonora viva. Oportunidade única para seus fãs de primeira hora, matarem a saudade e para que as novas gerações possam tomar contato com o virtuosismo do grupo. Para o público de Juiz de Fora, a oportunidade será ainda mais rara, já que os músicos escolheram o palco do Cultural Bar para transformar esse reencontro em DVD, que será gravado nessa quinta, dia 19 de maio (com abertura da casa às 20 h).
A volta do grupo, que se apresentou oficialmente pela última vez em 1988, na edição de São Paulo do Free Jazz Festival, marca também a reedição de seu álbum de 1987, que se encontrava fora de catálogo no Brasil, mas que chegou a ter edições na Europa, Estados Unidos e Japão.

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Como conta o cantor Zé Renato: “Há tempos que a gente conversa sobre a possibilidade de se reunir de novo. Foi um trabalho que deu muito prazer, na época. Durante esse tempo todo, de lá pra cá, nos encontramos em vários outros projetos, somos muito amigos”. Formado por músicos bastante ativos, a proposta é retomar o trabalho também nos palco à medida em que as agendas de cada artista torne possível.
No repertório, temas que se tornaram hits alternativos nos anos 80, entre público fiel da Zil, como: “Tupete” (Claudio Nucci e Zé Renato), “Benefício” e “Pegadas frescas”, ambas de Hamilton Vaz Pereira e Zé Renato, “Jequié” (Moacir Santos e Aldir Blanc), “Suíte gaúcha” (Marcos Ariel), “Ânima” (Milton Nascimento e Zé Renato) e “Maromba” (Paulinho Soledade e Ricardo Silveira).
O primeiro e único álbum da Banda Zil, originalmente lançado em vinil em 1987 pela gravadora continental, está sendo relançado em edição digital e está disponível para compra no iTunes. Quanto ao DVD, a expectativa do grupo é de que ele esteja no mercado já no segundo semestre de 2016.

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Para quem não viveu o período de surgimento do grupo, além assistir ao show de gravação do DVD e ouvir o álbum, vale conferir um quem é quem sobre os integrantes desse supergrupo:
Cláudio Nucci e Zé Renato – Cantores e violonistas de musicalidade á toda prova e domínio vocal invejável, aliado a timbres de vozes personalíssimos, já contavam com uma longa estrada na virada dos 70 para os 80 quando se tornaram sucesso nacional com o lendário grupo vocal Boca Livre. Trabalho esse que além da extrema qualidade dos arranjos, execuções e repertório, conseguiu o feito raro para a época de invadir rádios e TVs com seu álbum de estreia, apesar de terem se lançado de forma independente, parte de uma geração pioneira nesse caminho, num mundo sem Internet e sem as tecnologias de gravação, que hoje possibilitam gravar até mesmo em estúdios domésticos.

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O guitarrista Ricardo Silveira, além de já contar com uma carreira solo de destaque (seu primeiro LP solo Bom de tocar, lançado em 1984 já havia impulsionado sua carreira nos EUA), teve atuações ao lado de artistas como Herbie Mann em Nova Iorque, Elis Regina, Milton Nascimento, Hermeto Pascoal, Gilberto Gil e Banda Chicago, entre outros.

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Já Marcos Ariel, pianista, tecladista, arranjador e compositor já havia lançado seu primeiro álbum solo (Bambu) em 1981, e em 1983, recebera o Prêmio Chiquinha Gonzaga tendo sido lançado também no exterior além de se destacar nas edições do Free Jazz Festival em São Paulo em 1986 e, no ano seguinte, no Rio de Janeiro. Ainda no final dos anos 80, seu disco Terra de Índio teve grande êxito nos Estados Unidos, levando o instrumentista a se dedicar mais à sua carreira internacional.

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Zé Nogueira, saxofonista e produtor musical, participou como instrumentista, dos musicais de Chico Buarque, “Gota d’água”, “Ópera do malandro” e “O Rei de Ramos”, integrou a Orquestra Sinfônica da UFRJ. Também atuou em shows, no Brasil e no exterior, com vários artistas, como Edu Lobo, Djavan, Chico Buarque, Zezé Mota, Simone, MPB-4, Zizi Possi, entre outros.
O baterista Jurim Moreira atuou no início dos anos 70 no grupo O Rancho, trabalhou também com o cantor Ney Matogrosso, entre 1978 e 1979, e por um período, a partir de 1980, integrou a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, como percussionista. Participou de vários festivais de jazz na Europa, como Nyon Jazz Festival, Montreux Jazz Festival, Jazz Festival de Viena, Paleo Jazz Festival, JVC Jazz Festival, North Sea Jazz Festival e outros, acompanhando artistas como Alceu Valença, Gilberto Gil e Gal Costa, entre. Em estúdio, gravou com nomes como Milton Nascimento, Gilberto Gil, Maria Bethânia, João Bosco, Roberto Carlos, Edu Lobo, Gal Costa e Chico Buarque de Holanda.

Por sua vez o baixista gaúcho João Baptista, integrou as bandas Boinas Azuis, e lendária banda Almôndegas, tendo tocado também com a dupla Kleiton e Kledir, também ex-integrantes da pioneira banda gaúcha. Atuou também com toda uma série de artistas de peso da MPB como Milton Nascimento, Djavan, João Bosco, Fátima Guedes, Zizi Possi, Simone, Lobão, Orlando Moraes entre outros. Participou da tour brasileira do guitarrista Larry Corriel e de concertos do saxofonista Eric Marienthal.

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