Siso

 
 
 

Assim como os elementos da cultura pop, os terceiros molares surgem inesperadamente e rasgam seu caminho de forma intensa e inevitável. Da mesma forma que essa categoria de dentes, Siso apresenta seu abrasivo pop-eletrônico de rara sensibilidade.

Siso é David Dines, belo-horizontino de 28 anos que pisou no palco pela primeira vez aos 10, mergulhou no circuito independente da capital mineira ainda adolescente e de lá pra cá bateu muita perna, em mutáveis enfoques artísticos e comportamentais.

Fez rock ’50s, punk rock, folk esquisito e MPB. Produziu e tocou tudo do EP/mixtape SDDS FUTURO (2013), graças ao qual integrou uma missão para o MIDEM (grande feira francesa do mercado musical) em 2014. Produziu a versão de Nobat para “Não Sei Dançar”, de Marina Lima, e lançou o single “I’ve Seen Too Much” pelo selo francês Abatjour Records (responsável por títulos de Mahmundi, Zemaria e Lupe de Lupe).

David então veio a São Paulo, onde estudou outras linguagens de arte, performance, teatro e dança contemporânea. “E daí surgiu Siso”, diz o irrequieto artista, que estreou sua nova identidade no final do ano passado ao lado de três performers e do músico Christopher Mathi,  em um show do Festival Mix Brasil, no Centro Cultural São Paulo. “Com essas novas influências surgindo, o trabalho começou a se transformar e já não fazia mais sentido manter o mesmo nome. Siso é referência ao dente do juízo mesmo, uma vez que eu discurso muito sobre o amadurecer e suas dores, além de questões ligadas a identidade e efemeridades”.

 
 

Galeria de fotos

 


 
 

Terceiro Molar

 

O EP Terceiro Molar, a primeira gravação de Siso, foi lançado no último dia 1º de julho em todas as plataformas digitais. O disco contém cinco faixas produzidas por Siso e Christopher Mathi, com a participação do mestre do eletrônico Paulo Beto (Anvil FX) em duas delas. Além de canções de próprio punho, o EP inclui releituras de dois artistas/bandas brasileiros alheios ao mainstream: José Mauro, ícone da MPB dos anos 1970, e Paralaxe, banda seminal da cena eletrônica de Minas Gerais.

“Apocalipse”, a canção de abertura, é uma desconstrução ambígua da narrativa bíblica. Foi composta por José Mauro e Ana Maria Bahiana, jornalista cultural hoje radicada nos EUA. José Mauro lançou apenas um álbum, “Obnoxius” (1970), e sumiu. Ninguém nunca mais ouviu falar do músico, mesmo depois de o disco ganhar prestígio no underground europeu com um relançamento inglês. “Gravei a voz em um único take, no fatídico 12 de maio desse ano. Acho que a interpretação acabou incluindo um pouco do meu sentimento com os acontecimentos do dia”, conta Siso.

“Homem” vem em seguida, com uma reflexão sobre as masculinidades. “O comportamento masculino é raiz de grande parte dos problemas da nossa sociedade hoje – essa necessidade de poder, de impor, de ter a palavra final, de usar a força, de não buscar o diálogo respeitoso. O homem precisa ter consciência do seu papel dentro desse grande problema e oferecer um posicionamento de solução”, aponta.

Na sequência vem “Lá Vou Eu Botar Tudo a Perder”, originalmente uma espécie de reggae em inglês sobre sentir-se limitado pelo seu contexto diante do que ama e quer realizar. “Mas depois de alguns momentos pessoais difíceis, quis trazê-la para o português com outro sentido”, conta o artista. “É muito sobre desenvolver uma estratégia de sobrevivência, porque não é construtivo sair chutando o balde por aí de forma indiscriminada”.

“Clubber do Milharal”, do duo Paralaxe, é revisitada com o uso de percussão de objetos caseiros (copos de vidro, baldes de plástico com pipoca, cadeiras sendo arrastadas) e a inclusão de um trecho de obra instrumental para Minimoog do sintetista Paulo Beto, que já trabalhou com artistas do calibre de Damo Suzuki (Can) e Rogério Duprat (maestro da Tropicália).

O hit “Eclipse”, parceria com Fred HC, frontman do Paralaxe, fecha Terceiro Molar. O primeiro single do EP desabrochou durante sessão do Converse Rubber Tracks, no Family Mob Studios, com André Kbelo e Jean Dolabella comandando os trabalhos técnicos. “Chamei o Paulo Beto pra criar linhas loucas de sintetizador analógico para a canção. Apesar de ser o primeiro single, quis colocá-la no encerramento pra dar um caráter circular à obra toda. Colocar a questão de que nada está acabado, porque a incerteza do novo está aí pra lidarmos o tempo todo – o trabalho começa com o fim e termina com o início”, encerra Siso.

 
 

Ouça

 

 
 

Assista o clipe de Eclipse

 

 
 

Siso

 
Electropop / Belo Horizonte/MG – São Paulo/SP
 
Siso é um projeto solo. Mas ao vivo é Siso (voz) e Christopher Mathi (baixo e sampler)
 
 

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